Especialistas duvidam de experimento nazista com gêmeos no Rio Grande do Sul


A hipótese de que o nazista Joseph Mengele tenha sido o responsável pelo alto índice de nascimento de gêmeos na cidade de Cândido Godói, no interior do Rio Grande do Sul, é considerada 'fantasiosa' por especialistas em genética. A história ganhou o mundo na última semana com a publicação de reportagens em diversos jornais internacionais, a exemplo do periódico britânico Daily Telegraph, que dedicou espaço especial à curiosa polêmica.

"Trata-se de uma teoria que mistura muita fantasia, cheia de lendas e versões pouco prováveis para os recursos da época. Se com a tecnologia existente hoje a inseminação artificial para a reprodução de gêmeos exige alto conhecimento e aparato técnico, é praticamente impossível que Mengele tenha conseguido tal feito há mais de 40 anos utilizando métodos rudimentares e experimentais", considera o médico geneticista Roberto Giugliani.

O suposto experimento do médico, que serviu aos nazistas como pesquisador em campos de concentração como o de Auschwitz, foi abordado no livro Mengele: O Anjo da Morte na América do Sul, lançado em 2008 pelo escritor Jorge Camarasa. Na obra, o autor argentino relata sobre visitas que Mengele teria feito ao município do Noroeste gaúcho, enquanto ele vivia escondido no Paraguai, país onde o cientista teria morado nas décadas de 60 e 70, após fugir da Alemanha para não ser morto.

Doutora em Genética e Biologia Molecular, a bióloga Ursula Matte desenvolveu estudo específico sobre a suspeita. A profissional fez pesquisas em Cândido Godói, onde Mengele teria cuidado de mulheres da colônia alemã para desenvolver suas técnicas, e verificou exatamente aquilo de que suspeitava:

"Essa lenda, cujo conteúdo é cheio de mistério, naturalmente desperta a crença de que tenha sido possível gerar uma comunidade de gêmeos através do experimento citado. Mas essa versão fica apenas no campo da ficção, das histórias de fantasia contadas entre as gerações. Cientificamente, não há qualquer comprovação", comenta a especialista.

De acordo com Ursula, por se tratar de uma região em que houve pouca migração de moradores locais e com casamentos de pessoas das famílias ali residentes, que vivem há décadas naquela comunidade, o código genético responsável pelo nascimento de gêmeos pode ter ficado 'concentrado' com os habitantes locais.

"Os moradores de lá vivem de uma maneira mais isolada, concentrados na zona rural. Isso pode ajudar a justificar a alta incidência de gêmeos , mas atribuir isto à manipulação médica de Mengele, além de remoto para os recursos médicos da época, seria reconhecer equivocadamente que os experimentos que os nazistas fizeram nos campos de concentração e mundo afora trouxeram benefícios e descobertas à humanidade", conclui a pesquisadora.

Segundo relatos dados por moradores e abordados no livro do argentino, o alemão teria aplicado técnicas de reprodução humana como inseminação artificial para gerar o maior número de crianças louras e de olhos claros, realizando assim o desejo nazista de "fabricar" a raça ariana, que os totalitaristas alemães consideravam superior.

O grande número de nascimentos de gêmeos - cuja média é de um casal entre cada cinco partos feitos na cidade -, reforça entre a teoria de que Mengele tenha aplicado seus conhecimentos genéticos nas mulheres do município com a intenção era "produzir" crianças que atendessem ao estereótipo da raça ariana pretendida por Adolf Hitler.


Redação: Terra

2 comentários:

Viver é Bom ! ! ! disse...
on

Adorei este blog, muito interessante a idéia, vou me tornar leitora constante !
Parabéns !
Quando der visitem meu blog também :

Beijo !
Solange Maia

http://eucaliptosnajanela.blogspot.com

Darcy Mendes disse...
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Tem um filme que fala um pouco sobre o assunto: "Meninos do Brasil" -
Se não assistiram ainda, assistam e tirem suas conclusões.
Se dissermos que o nazismo ainda está entre nós, é a mais pura verdade. Tem raizes profundas escondidas pelo Brasil afora.
Quanto a experiências...aí já é outra história!

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